Empreendedorismo e liderança feminina são fundamentais para o crescimento e a sustentabilidade do setor

Especialistas afirmam que as mulheres valorizam e enriquecem o cuidado e a atenção à Saúde

Personalidades femininas, que atuam como líderes no setor da Saúde, compartilharam suas experiências e contaram como é empreender em uma área predominantemente masculina, no 5º Global Summit Telemedicine & Digital Health APM, realizado pela Associação Paulista de Medicina (APM), de 20 a 22 de novembro, em São Paulo.

Isabela Abreu, CEO e fundadora da RedFox Digital, disse que a presença feminina nos vários segmentos da Saúde tem crescido significativamente, refletindo uma tendência global de maior inclusão das mulheres em campos tradicionalmente dominados por homens. 

“Na Saúde e na tecnologia, as mulheres estão não apenas atuando como profissionais, mas também liderando inovações, especialmente na Saúde Digital. Isso é vital porque traz diferentes perspectivas e abordagens para o desenvolvimento de soluções tecnológicas no setor, melhorando o atendimento ao paciente e promovendo a eficiência.”

Novas perspectivas

Ao contar sua trajetória, a fundadora e CEO da Dr. Tis, Jihan Zoghbi, falou que preferiu sair de onde vivia para estudar fora, pois lá não havia possibilidade de cursar uma graduação. Iniciou o curso de Medicina, mas no segundo ano conseguiu uma bolsa na American University of Beirut e foi estudar Matemática.

“O que a mais me motivou foi que em minha aldeia somente os homens ensinavam e aprendiam Matemática. Eu queria mostrar que as mulheres são capazes e queria ensinar as meninas”, narrou.

Sobre ao aumento da presença feminina no mercado de Saúde Digital e como líderes, ela ressaltou ser importante não somente pela diversidade e superação de desafios, mas pela relevância do atendimento humanizado e pelas novas perspectivas que as mulheres trazem aos negócios.

“Os grandes hospitais e estabelecimentos de Saúde devem dar oportunidade para que as lideranças femininas ocupem lugares de destaque, pois elas podem contribuir para a evolução do ecossistema da Saúde Digital. Além disso, as mulheres permitem um olhar mais humanizado em algumas questões”, destacou.

Daniella Bahia, diretora médica do Grupo Fleury, concordou com a executiva e frisou que as mulheres trazem habilidades únicas e perspectivas diversas para o mundo dos negócios, o que pode resultar em mais inovação, melhores decisões e aumento da competitividade.

Questionada sobre a implementação da inteligência artificial na Saúde, falou que, como líder, orienta que, para garantir que novas tecnologias sejam efetivadas, é necessário o engajamento de toda a equipe e o estímulo à empatia.

“As mulheres ajudam na conexão com a equipe, no companheirismo e, acima de tudo, a agir com resiliência, características importantes para o setor”, frisou.

Liderança comprometida

Denise Eloi, CEO do Instituto Coalizão Saúde (ICOS), ressaltou que na Saúde e na tecnologia, as mulheres estão ocupando posições e contribuindo para o desenvolvimento desses setores. Porém, infelizmente, o mercado de trabalho ainda restringe e dificulta a atuação feminina em cargos estratégicos, tanto que as mulheres ainda representam uma minoria em cargos de liderança e gestão.

“As mulheres são líderes comprometidas com a excelência na gestão e a inovação na Saúde. Estamos cada vez mais presentes e fortes, ocupando posições e contribuindo para o desenvolvimento do setor, inclusive na Saúde Digital”, comentou.

A especialista também foi enfática ao dizer que além de contribuir para o crescimento econômico e a sustentabilidade do setor, o empreendedorismo e a liderança feminina também valorizam e enriquecem as relações sociais e cria oportunidades de inclusão de novos saberes no cuidado e na atenção à Saúde.

Isabela Santana, diretora técnica em Psiquiatria da Telavita, lamentou que as mulheres ainda tenham suas habilidades questionadas e subjugadas a um modelo de trabalho inferior.

A psiquiatra considera que é cobrado o dobro de responsabilidades das pessoas do sexo feminino que, geralmente, já se sobrecarregam com duplas ou até triplas jornadas de trabalho.

“É visível que esse fenômeno reflete mais em mulheres. Essa sobrecarga leva ao adoecimento, ao burnout, as mulheres chegam ao limite”, alertou.

Por isso, defende o incentivo à diversidade, no seu sentido amplo, na Saúde e em todos os segmentos da economia.

Confira os principais as fotos Global Summit APM 2023 AQUI.

Fotos: Marcos Mesquita Fotografia

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