Capacitação profissional é necessária para a evolução da Saúde Digital e da qualidade da assistência

Para Giovanni Guido Cerri, palestrante confirmado no GS APM 2023, o uso de tecnologias ajuda a reduzir a desigualdade de acesso

Nos últimos três anos, a importância das ferramentas de Saúde Digital tornou-se inegável. A pandemia de Covid-19 fez com que o contato entre pacientes e médicos passasse a ser mediado cada vez mais por consultas remotas, receitas digitais, prontuários eletrônicos e resultados de exames on-line.

“A Telemedicina provou, na prática, que é possível atender com qualidade, e não há razão para não lançar mão desse recurso nas situações em que ele se faz necessário”, defende Giovanni Guido Cerri, presidente dos Conselhos dos Institutos de Radiologia (InRad) e de Inovação (InovaHC), ambos do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), que será conferencista na 5ª edição do Global Summit Telemedicine & Digital Health APM, que a Associação Paulista de Medicina (APM) realizará de 20 a 22 de novembro, no Centro de Convenções Frei Caneca, na capital paulista.

O especialista explica que a modalidade evoluiu rapidamente, com ferramentas capazes de combater diversos gargalos do sistema de Saúde, como controlar a frequência dos atendimentos no pronto-socorro, melhorar o monitoramento de pacientes crônicos e operação de equipamentos a distância, como a Radiologia.

“A Telessaúde é a primeira incorporação de tecnologia que não está associada ao aumento de custos. Pelo contrário, ela promove economia”, destaca Cerri, ressaltando que a transformação digital da Saúde é um caminho sem volta, o que considera uma boa notícia, tanto para o paciente como para os sistemas de Saúde, público e privado.

Acesso

A partir da Saúde Digital – que não se restringe apenas a consultas a distância e inclui soluções em inteligência artificial, internet das coisas, sistemas de dados integrados, para citar apenas alguns exemplos -, segundo o especialista, a ideia central é usar a tecnologia para aumentar a qualidade e o acesso aos serviços de atenção à Saúde.

“Para o paciente, a expansão da Saúde Digital representa, em primeiro lugar, um ganho significativo no acesso”, afirma Cerri, lembrando que na atenção primária, nas Unidades Básicas de Saúde, em todo o País, em boa parte delas não há médicos todos os dias. Assim, muitas vezes, com as ferramentas digitais, o próprio enfermeiro pode realizar o exame necessário ao paciente e transmiti-lo a um médico em outro local, que dará seu parecer na hora.

Em nível nacional, para o especialista, a Saúde Digital representa uma oportunidade estratégica para reduzir um dos maiores problemas do País: a desigualdade de acesso aos serviços de Saúde.

“No sistema público, a disparidade geográfica é imensa na qualidade do tratamento: o bairro onde o paciente mora pode definir, literalmente, se ele vai viver ou morrer quando precisar de atenção médica”, alerta Cerri, que também é presidente do Instituto Coalizão Saúde (ICOS).

Mais dignidade

Para ele, ainda que a Saúde Digital não sane a raiz do problema, ela oferece uma possibilidade de contorná-lo, amplia a escala dos principais polos de Saúde e concede mais dignidade e equidade aos moradores das regiões menos assistidas.

Além disso, a via digital reduz custos, ajudando a amenizar o déficit crônico de recursos da Saúde pública brasileira.

Utilizando soluções digitais, como a internet das coisas, por exemplo, é possível monitorar a condição de pacientes com câncer ou doenças crônicas a distância e medir indicadores como pressão e glicemia.

“Com isso, é possível ainda otimizar o atendimento nos hospitais e desafogar as filas do pronto-socorro, encaminhando, assim, apenas os pacientes com quadro urgente, que realmente precisam de atendimento presencial”, esclarece Cerri.

Qualificação

Em sua participação no Global Summit APM 2023, o médico fará a Conferência Nacional “Saúde Digital como Fator de Qualidade”, uma questão que, para Cerri, é um enorme desafio.

Ele revela que muitos profissionais sabem da relevância da Saúde Digital, mas não se sentem habilitados para utilizá-la, já que não se trata simplesmente de estar diante de uma câmera, ou de um dispositivo para uma videoconferência com o paciente. A Saúde vai incorporar cada vez mais tecnologias.

“Neste cenário, o ensino da Medicina terá de se tornar ainda mais multidisciplinar. Será preciso uma inserção no universo de temas da tecnologia, seja na área de softwares, ou na de hardwares. Ter noções de estruturas de bancos de dados, de linguagens de programação e de funcionamento dos equipamentos deve se tornar mais familiar aos profissionais da Saúde. Os currículos de formação terão de incorporar isso – e essa inserção, embora não deva ser feita às pressas, também não pode tardar”, observa Cerri.

“Podemos fazer com que os médicos se qualifiquem utilizando os recursos digitais, inspirando a especialização em procedimentos e até capacitar em larga escala, o que hoje ainda não é feito. Desta forma, é possível ajudar a transformar a capacitação do profissional de Saúde no País”, garante o especialista.

No entanto, Cerri pontua que é necessária a melhoria da conectividade, tanto para os profissionais de Saúde como para os pacientes.

“Somente assim e com a consolidação da tecnologia na Saúde Digital teremos melhores plataformas, mais qualidade e eficiência na assistência à população”, afirma.

Cerri conclui dizendo o quanto o Global Summit Telemedicine & Digital Health APM é importante e necessário para a qualificação e capacitação de médicos, demais profissionais de Saúde e de todos os que atuam no ecossistema da Saúde Digital.

“É um evento, sob a chancela da APM, que se encaixa muito na questão do esforço das entidades médicas de capacitar seus profissionais, de ampliar o conhecimento para haver a transformação que a Saúde necessita. Nesse aspecto, o Global Summit APM tem um papel fundamental, além de uma ótima repercussão no mercado”, finaliza Cerri. 

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